quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Janis Joplin


Uma das maiores vozes que o mundo já ouviu, teve sua morte completando quarenta e três anos no último dia 04 de outubro. Estamos falando de Janis Lyn Joplin, mundialmente conhecida como Janis Joplin. A americana de Port Arthur, Texas, teve uma meteórica carreira musical entre 1964, quando perambulava por bares da Califórnia em busca de dinheiro, sexo, drogas e emoções baratas, até a fatal noite de 04 de outubro de 1970, quando morreu por overdose de heroína com álcool, no auge de sua carreira solo e prestes a lançar seu segundo álbum solo.

Nesse período, Janis lançou dois álbuns como membro do grupo Big Brother & The Holding Company e apenas um álbum solo, mas o suficiente para deixar um carisma e legado reconhecido até os dias de hoje.

O bebê Janis Joplin, dando seus primeiros gritos
Criada em uma família cristã, Janis era a filha mais velha de um engenheiro da Texaco (Seth Joplin) e da secretária de assuntos estudantis, Dorothy Joplin, e desde criança, mostrou ser uma criança problemática, e quando adolescente, revoltada. Outra característica marcante de Janis na infância e na adolescência era sua proximidade com a música negra, ouvindo bastante nomes como Big "Mama" Throton, Willie Dixon, Billie Holiday, Bessie Smith e Lead Belly. Os dois últimos foram responsáveis por motivar a pequena Janis a seguir carreira musical, e não demorou para ela começar a cantar no coral da igreja frequentada pelos Joplins.

No Thomas Jefferson High School, Joplin passou a conviver com mais um problema, que era a relação com os colegas. Considerada feia por sua pele cheia de espinhas, além de não manter uma higiene regular, e principalmente, por andar com negros, Janis passou a ser chamada pelos colegas de "Porca", "Louca", "Amante de negros" entre outros apelidos depreciativos.

Janis na infância e no início da adolescência. Uma menina rebelde e diferente

Em 1960, ela conseguiu se formar no Ensino Médio, indo estudar no Lamar State College of Technology em Beaumont, no Texas, desenvolvendo o aprendizado necessário para matricular-se na Universidade do Texas, em Austin. Na faculdade, ela começou a se destacar musicalmente, fazendo pequenas apresentações tocando harmônica e cantando, principalmente após começar um relacionamento com um jovem chamado Country Joe McDonald (Country Joe & The Fish). Não demorou para ela conseguir algum dinheiro, e em dezembro de 1962, fazer sua primeira gravação, a rara bolachinha com "What Good Can Drinkin' Do". 

Insatisfeita com a faculdade, Janis abandonou-a e foi tentar a carreira em San Francisco, em janeiro de 1963. Por lá, fez diversas parcerias, sendo a principal delas com o guitarrista Jorma Kaukonen (Jefferson Airplane), com quem gravou uma série de clássicos do blues em 1964. Foi nesse período que a jovem teve seu primeiro contato com as drogas, ficando praticamente viciada em heroína. Além disso, o álcool era outra fonte de "alimentação" constante na mesa de Janis, principalmente uísque e um licor chamado Southern Comfort.

Presa por roubo, em Berkeley

Janis partiu para Nova Iorque, e lá, consumia cada vez mais bebidas, anfetaminas e drogas. Sem alimentar-se direito, em 1965 Joplin acabou sendo internada para um tratamento de desintoxicação, após ser presa por roubo, em um período que inclusive chegou a viver nas ruas de Manhattan e a dormir ao relento na Broadway.

Janis voltou a viver em Port Arthur em maio daquele ano. Nessa altura, estava pesando apenas 40 kg, desnutrida e muito mal vestida. De volta a casa, foi obrigada a modificar seu estilo de vida, voltando para a universidade, desta feita a Lamar University, em Beaumont. Na Lamar, voltou a ter contato com a música, e agora, passou a apresentar-se acompanhada apenas de seu violão. No final daquele ano, gravou mais sete canções em um estúdio, que seriam lançadas em 1995 no álbum This is Janis Joplin 1965.

Janis com a Big Brother & The Holding Company

Em 1966, Janis voltou para San Francisco, e passou a fazer parte do grupo Big Brother & The Holding Company. Sua trajetória com a banda pode ser acompanhada aqui. Foram dois anos de muito sucesso, tendo como registros os álbuns Big Brother & The Holding Company (1967) e Cheap Thrills (1968), um dos álbuns mais vendidos na história da música. Além dos álbuns, Janis marcou época na apresentação no Monterey Pop Festival de 1967, quando, ao lado de Peter Albin (baixo, guitarra, vocais), James Gurley (guitarras), Sam Andrew (guitarra, vocais) e David Gets (bateria), os demais integrantes da Big Brother & The Holding Company, deixou os presentes ao festival de boca-aberta com uma apresentação estupefante.


Sequência de fotos de Janis nua (acima)
Destaque para uma das fotos
Em 1 de setembro de 1968, Janis decidiu sair do Big Brother. Sua última participação com o grupo foi três meses depois, em San Francisco.

 A partir dali, Janis começou sua carreira solo, levando com ela Sam Andrew. Baseada em um som próximo ao rhythm and blues, longe das psicodelias de seu antigo grupo, a nova banda de Janis apresentava um naipe de metais e uma sonoridade bastante inovadora para um grupo da Califórnia, sendo formada por Janis, Andrew, Brad Campbell (baixo), Richard Kermode (órgão), Gabriel Mekler (órgão), Maury Baker (bateria), Lonnie Castille (bateria) Terry Clements (saxofone tenor), Cornelius Flowers (saxofone barítono) e Luis Gasca (trompete).

Janis, com a Kosmic Blues Band

Batizada de Kosmic Blues,  para muitos essa foi a melhor banda para acompanhar o poderio vocal de Janis, em um período que novamente voltou a conviver pesadamente com drogas, chegando a gastar 200 dólares por dia com heroína.

Os primeiros shows da Kosmic Blues ocorreram em Frankfurt, na Alemanha, seguido por uma curta série de shows na Europa. Depois, foram uma série de apresentações e participações em programas de TV nos Estados Unidos, como o TV Pop Show e o The Dick Cavett Show, até que rapidamente, Janis entrou em estúdio para gravar seu primeiro álbum solo.

Animalesca estreia solo de Janis

Lançado em setembro de 1969, I Got Dem 'ol Kosmic Blues, Again Mama! foi um estrondoso sucesso, conquistando ouro nos Estados Unidos dois meses depois de ser lançado, e platina (um milhão de cópias) um ano depois, sendo um dos principais álbuns da década de 60. Temos uma aula de emoção e inspiração, a começar pela maravilhosa capa, flagrando Janis em cima do palco em um agito que somente ela conseguia exalar de seu corpo. 

Janis livra-se do som característico de San Francisco, experimentando novas direções e comprovando aquilo que todos haviam visto (e ouvido) quando ela era apenas uma cantora no Big Brother: na verdade, ELA era verdadeira estrela. Abrindo com o suingue de "Try (Just a Little Bit Harder)", Janis e a Kosmic Blues Band desfilam por pérolas mágicas da música, com lindas baladas ("Maybe", "Little Girl Blue" e a arrepiante versão para "To Love Somebody", original do Bee Gees), uma estonteante sessão instrumental na introdução da dançante "As Good As You've Been to This World", com um espetáculo a parte do naipe de metais, e blues alucinantes ("One Good Man" e "Work Me Lord"). 

Encontro de gigantes: Jimi Hendrix e Janis Joplin

Janis supera-se em "Kosmic Blues", uma das mais emocionantes gravações da carreira da cantora, se não a maior, com uma estupenda reta final que arranca o fôlego de qualquer ouvinte. Musicalmente, o melhor disco da carreira da cantora. Em termos de interpretação, a vocalista estava preparando-se para chegar no ápice da carreira. Uma pena que a Kosmic Blues acabou pouco depois, mas deixou um legado venerado por todos os admiradores do estilo. 

O relançamento em CD apresentou a inédita "Dear Landlord" e mais versões em Woodstock para "Summertime" e "Piece of My Heart".

A Columbia Records lançou "Kozmic Blues" como single, que chegou na posição 41 na parada da Billboard, assim como uma versão ao vivo de "Raise Your Hand" saiu em um compacto exclusivo na Alemanha, aonde garantiu a décima posição. 

O sucesso de I Got Dem 'Ol Kosmic Blues, Again Mama! levou Janis para ser uma das estrelas no festival de Woodstock, em 1969. Na manhã de 17 de agosto, a cantora, acompanhada pela Kosmic Blues, Janis fez um show bastante irregular, culpa principalmente da quantidade de heroína e bebida utilizada durante as dez horas que a cantora esperou desde sua chegada na fazenda aonde acontecia o festival até sua subida ao palco. Apesar das diversas críticas negativas, Janis marcou sua história mais uma vez com interpretações exclusivas para "Kosmic Blues" e "Work Me, Lord".

Grace Slick (Jefferson Airplane) e Janis Joplin, nos camarins de Woodstock

Passado Woodstock, Janis apresentou-se em Nova Iorque, com um show importante no dia de Ação de Graças de 1969, em um dueto com Tina Turner que ficou marcado por sua péssima performance, devido ao abuso de drogas e bebidas. Diversos problemas acabaram levando ao encerramento das atividades da Kosmic Blues no final de 1969, possibilitando à Janis a criação de mais uma nova banda, a envolvente Full Tilt Boogie Band. 

Antes, em 15 de novembro de 1969, durante um show no Curtis Hixon Hall, em Tampa, na Flórida, Janis Joplin foi acusada de linguagem vulgar e indecente diante do público, sendo presa. No caminho para a prisão, a cantora xingou os policiais, e só foi solta após o pagamento de 500 dólares de fiança.

             
Registros da passagem de Janis pelo Brasil
Antes da nova banda, um momento importante na vida de Janis ocorreu em fevereiro de 1970, quando ela veio ao Brasil com a finalidade de finalmente livrar-se das drogas. No Brasil, Janis participou de desfile de carnaval, apresentou-se em um pequeno bar de Copacabana e ainda flertou com o cantor Serguei, pelo qual Janis declarou-se para sua irmã como apaixonada. Infelizmente, a temporada de Janis no Brasil deixou apenas saudades e diversas polêmicas, além de fotos de Janis fazendo topless em Copacabana e dando uns bons pegas em Serguei. Durante todo o período no Brasil, Janis consumiu apenas maconha e álcool, mas fez-se livre da heroína, até por que a mesma era escassa em nosso país.

              
Momentos de Janis e Serguei


Ao retornar para os Estados Unidos, Janis voltou a consumir heroína, em nível cada vez maior. Ao mesmo tempo, um novo grupo começava a surgir para acompanhar Janis, voltado para o hard rock que surgia no final dos anos 60 e com a maioria dos músicos sendo canadense. 

A The Full Tilt Boogie Band começou a excursionar em maio de 1970, sendo aclamada por onde passava e pelos fãs da cantora. Janis praticamente largou das drogas, mas seguiu consumindo álcool como água. O ponto alto dos shows com a Full Till foi a participação no Festival Express, que ocorreu de 28 de junho a 4 de julho de 1970 no Canadá.

Janis em Copacabana
Nessa turnê, a Full Tilt Boogie Band atravessou o Canadá de trem, tocando em Toronto, Winnipeg e Calgary, ao lado de Buddy Guy, The Band, Delaney and Bonnie, Grateful Dead, Ian & Sylvia, Eric Andersen e Ten Years After. Para muitos, foi a melhor fase vocal de Janis, e felizmente, temos alguns registros em vídeo e áudio disponíveis para conferir a potência da Full Tilt Boogie Band, que contava com os músicos John Till (guitarras), Brad Campbell (baixo), Richard Bell (piano), Ken Pearson (órgão) e Clark Pierson (bateria).

Outros pontos altos de Janis com a Full Tilt Boogie Band foram os últimos shows da artista, ocorrendo em agosto de 1970, começando por Boston, no Harvard Stadium, em 12 de agosto, e a reunião com os colegas de Ensino Médio no Thomas Jefferson High School ocorrida no dia 14, os mesmos colegas que apelidaram Janis de "O homem mais feio da escola".

As gravações do segundo álbum solo de Janis começaram no final de agosto de 1970, seguindo por setembro e outubro, mas, no dia 04, uma tragédia encerrava as gravações prematuramente. Janis era encontrada morta na sua casa, vítima de uma overdose de heroína, possivelmente com consumo de álcool junto. Seu corpo acabou sendo descoberto pelo produtor Paul Rotchild, que havia produzido diversos trabalhos do The Doors, e era o responsável pela produção de Pearl.

O póstumo e essencial Pearl

Ele acabou incentivando o lançamento do material que já havia sido gravado, e assim, três meses depois da morte da cantora, Pearl chegou às lojas, em 11 de janeiro de 1971. Ele conta com a última gravação feita por Janis, três dias antes de sua morte, que foi a hoje clássica "Mercedes Benz". 

Pearl é a despedida perfeita que um artista poderia deixar para os seus fãs. Não que alguém se conforme com a morte de Janis, mas o que ela faz nesse álbum é simplesmente de cair o queixo. Nele estão os maiores clássicos da carreira de Janis, no caso "Me & Bobby McGee" e a já citada "Mercedes Benz", mas honestamente, Pearl é muito mais que isso.

Janis e seu Porsche colorido

Acompanhada dea Full Tilt Boogie Band, Janis transborda emoção, destacando o fantástico miado inicial de "Cry Baby", e é isso mesmo, uma gata no cio, sendo penetrada ferozmente por seu parceiro, em um uivo alucinante. Mas não para por aí. "Get It While You Can", "My Baby" e "Trust Me" mantém a linha de baladas suaves, mas dessa vez sem peregrinar por diversos estilos, parecendo basicamente uma única canção quando ouvidas em sequência.

"A Woman Left Lonely" é uma competente rival para "Kosmic Blues", sendo impossível não se emocionar com o soberano crescimento da canção até o seu final. Mas não pense que somente de baladas vive o LP. "Half Moon" e "Buried Alive in the Blues" (essa última uma faixa instrumental) destacam a competência instrumental da Full Tilt Boogie Band, outra grande banda a acompanhar a divindade de Janis, e "Move Over" é uma pancada hard para metaleiro nenhum botar defeito.

Sem comparações, assim como seu antecessor é essencial na prateleira, e com certeza, o auge das interpretações emocionantes de Janis. Quatro platinas em menos de dois meses, acabou sendo (e é até hoje) o álbum mais vendido da cantora, que infelizmente, não pode aproveitar desse sucesso.

Registro de raridades da carreira de Janis 

Várias foram as homenagens à Janis após sua morte. Shows, filmes (The Rose, com Bette Midler) e coletâneas póstumas invadiram o mercado. Algumas destas coletâneas merecem destaque, começando por Janis, trilha sonora para um filme em homenagem a artista e que foi lançada pela gravadora CBS no formato duplo, em 1975.

Janis em ação
No primeiro LP, canções dos dois álbuns solos da cantora, algumas gravadas ao vivo na Alemanha e no Canadá, tendo a Kosmic Blues Band como banda de acompanhamento, além de "Piece of My Heart" retirada de Cheap Thrills (do Big Brother & The Holding Company) e duas pequenas entrevistas com Janis.

No segundo LP, uma jóia raríssima. Janis aparece no início de carreira, entre 1963 e 1965, quando ela cantava pelos bares de Austin, no Texas, ora sozinha, ora acompanhada pela Dick Oxtot Jazz Band. São dezessete canções, a maioria delas covers, que revelam uma Janis Joplin com a voz ainda sendo moldada, tímida, mas já arrancando aplausos dos privilegiados de verem ela em ação tão nova.

Destacar alguma canção entre todas é complicado, mas vale a pena citar as primeiras composições de Janis em seu início de carreira, no caso "What Good Can Drinkin' Do" (primeira canção que ela gravou em um estúdio, nunca lançada oficialmente), "No Reason for Livin'", "Mary Jane" e "Daddy, Daddy, Daddy". São todas jazz e blues inspíradíssimos, e prefiro apenas deixar ao ouvinte a curiosidade de encontrar Janis e seu violão (ou o pequeno quarteto de jazz) fazendo uma música simples, humilde e, como toda a carreira dela, carregada de emoção. "Trouble in Mind" chegou a sair em uma coletânea lançada no Brasil anos depois, e talvez seja a mais conhecida dos fãs em geral. Disco de Ouro nos Estados Unidos, e uma bela recordação aos fãs!

Coletânea de inéditas, lançada em 1983

Outra importante coletânea foi lançada em 1983, Farewell Song, dessa vez somente com canções inéditas, tendo a participação de cada uma das bandas que acompanharam Janis, Farewell Song apresenta um interessante material de canções até então desconhecidas para os fãs de Janis, a maioria delas, cinco das nove, canções que ficaram de fora de Cheap Thrills (pensado originalmente para ser lançado no formato duplo).

Entre as seis canções, temos a psicodélica "Harry", a dupla gospel "Amazing Grace / Hi-Hell Snakers", a totalmente flower-power "Magic of Love" e as agitadas "Catch Me Daddy" (conhecida dos fãs da Big Brother & The Holding Company pelo nome de "Comin' Home") e "Farewell Song".

Janis em momento "Viagem"

Complementam o álbum as pancadas "Raise Your Hand" (com a Kosmic Blues Band arrasando ao vivo), a linda "One Night Stand", ao lado da Paul Butterfield Blues Band, "Tell Mama" (uma obra prima com a Full Tilt Boogie Band), e o blues choroso de "Misery' N", gema da carreira da Big Brother que os fãs só conheceram nesse ótimo LP, que se não está no nível dos discos solos, faz jus a carreira dessa que foi (e ainda é) a maior cantora que o mundo já ouviu.

Ótimo álbum ao vivo de Janis

Por fim, temos o maravilhoso In Concert, álbum ao vivo de 1972 que traz muito material de qualidade e novidades para os fãs, como a inédita "Ego Rock", gravada junto à Big Brother & The Holding Company. O primeiro LP contém somente shows com a Big Brother, em registros  de 1968 no Winterland de San Francisco, Fillmore West, também em San Francisco, The Carousel Ballrom, ainda em San Francisco, e The Grand Ballrom, em Detroit.

Já o segundo LP é um achado fervoroso aos fãs, com Janis acompanhada pela Full Tilt Boogie Band durante o Canadian Festival Express, com registros das apresentações em Calgary e Toronto. 

Janis Joplin faleceu, mas deixou um legado belíssimo para a história da música, daquela que com certeza é a maior voz feminina que o mundo do rock já ouviu, e ainda hoje, ecoa pelas casas dos apreciadores e aficcionados por sentimento.

Um brinde para ti, Janis!

Uma voz, uma mulher e uma incrível artista, que possui seguidores por todo o mundo, e que merece um brinde, para esta que é a maior cantora de todos os tempos.

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